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A vida cívica

25/08/2013

Nova assembleia cívica até desoras. E o que sobrou da minha participação – se é que se pode chamar participação à total falta de presença cumpliciadora – foi um poema arrancado a ferros, anotado no papel ainda com salitre e grãos de areia nos versos, horas depois de mais uma tarde a encarar os feitiços líricos do mar. O que sou a menos socialmente sou a mais naturalmente. O melhor que tenho para dar no vínculo de cidadão a tempo inteiro com que fui investido pelos imperativos da consciência vem, quando vem, na forma banal e ridícula de versos, na contumácia do silêncio, ou no anonimato violentado da minha solidão. Existir, mas numa discrição renovada diariamente até à quase inexistência.
De modo que quando o corifeu do concílio deu por encerrados os trabalhos, desembainhei as pernas e meti a correr pela escuridão das ruas de regresso a um lugar familiar onde pudesse estar a salvo da crispação interna em que me vou ratando à traição. Sou como aqueles bichos do mato que, depois de muitas horas em cativeiro, se esgueiram à primeira oportunidade pela fresta mais estreita de liberdade que possam ver aberta.

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