h1

Contra

10/12/2013

Deixem-no estar, deixem-no ser
O que é, o que não é e o seu contrário.
Deixem-no conviver
Na pele de lobo solitário.
Deixem-no vir antes da palavra
E depois dela, como os sinais,
E escrever o silêncio que nos cava
Quando dizemos até sempre ou nunca mais.
Deixem-no ser um e ser quantos
À imaginação convém.
Deixem-no ser tantos,
Não sendo ninguém.
Deixem-no povoar-se de solidão.
Deixem-no querer voar
Por cima da multidão,
Mesmo sem asas para descolar
Do céu do chão.
Deixem-no ser pedra que flutua
Na fundura do vazio
E ser mar que desagua
Na nascente do rio.
Deixem-no, por seus passos,
Nadar contra a corrente,
Deixem-no, que lhe corre nos braços
O ímpeto da torrente.
Deixem-no ver o futuro aberto
Nas margens do presente.
Deixem-no ir e vir, longe e perto,
Perdido nas curvas do estradão,
A percorrer o caminho certo
Quando vai em contramão.
Deixem-no fazer-se contrafeito.
Deixem-no ter fome, satisfeito
Com migalhas de desilusão.
Deixem-no ruminá-las uma a uma.
Deixem-no ser o velho na boca dum rapaz.
Deixem-no ser guerra e paz
E desaparecer na bruma.
Deixem-no… e não lhe liguem nenhuma.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: