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Diário

10/12/2013

Perguntam-me muitas vezes o que ganho eu ao manter um diário. Que é feminino, que é coisa de criança, que é coisa de velho, que é a exposição escancarada do meu íntimo, que é o avesso escuro do que sou à luz dos dias. Vão-me adivinhando de todas as maneiras sem me conhecerem. E eu fico-me na minha perplexidade consentida. Ora nem tudo o que um homem é, para dentro e para fora de si, se revela, nem mesmo antes da extrema unção. Partimos sem saber tudo de nós e quase nada dos outros, embora sejam os outros quem melhor pode dizer até onde chegam as malformações e as virtudes congénitas da nossa existência. Estamos desamparados, à mercê de nós mesmos e do intemperismo das circunstâncias, pelo que este diário não é, nem quer ser, o reflexo expressivo dos meus dias transformado em tanques de roupa puída, orações e gramática. É a marginália de um mapa emotivo de sombras silenciosas e memórias desalinhadas acerca do modo como a vida se desenrola. Um método de humanidade científica que me permita compreender-me, para que os outros possam entender alguma coisa de mim, e vice-versa.

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