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O Outono tem anginas

10/12/2013

O Outono a acordar espreguiçando-se por entre os últimos raios tépidos de Verão e eu rendido a uma camada impiedosa de anginas. E aqui estou, a fazer mergulho num mar transpirado de cobertores, infusões, mezinhas populares e paracetamol. Esganado com dores de garganta, entrevado pela febre e pela tosse, fiz novamente jus à minha condição adversa à lógica geral das coisas. Parece impossível arrumar de vez as contas com a fisionomia das estações, integrado no ambiente social! Em vez de ir a banhos de mar e de sol ou de desembainhar as pernas num passeio alado pela serra como os mais, outoniço por dentro, sonolento por fora, sonhando delírios amarelos como folhas caducas, deixei que os anticorpos tombassem precocemente de maduros, cingindo-me a perspectivar a vida a partir de um catre pirético de solidão. Mas nem assim consegui que os versos que andava a magicar saíssem do ouriço. O que me vale é que se se baralham as estações, se o corpo nos falha, nunca se engana a poesia. Ela, sim, cumpre-se no tempo certo, trazendo à luz do dia as cores, os odores, as flores e os frutos sonhados em todas as estações.

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