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Quando dentro de um computador tudo se transforma num espaço em branco

10/12/2013

Cá tenho de volta o computador, depois de um súbito banho de lixívia informática que lhe varreu tudo da memória. Versos inexpressivos rimados a martelo, contos peados que davam largas forçadas à aridez da imaginação, anotações inúteis transpiradas a esticão para conseguir duas linhas inconsequentes e um texto asmático de maior fôlego que andava a lavrar com o peso sofrido e desolador de um mundo nas costas atirados sem cerimónias ao invisível silêncio da inexistência. Aquilo que já não era pulverizado até à aniquilação total. A letra-morta transformada no nada absoluto. Com um conjunto de evidências flagrantes que me negavam o destino dos predestinados destruído para a eternidade, todos os julgamentos do futuro levarão à absolvição do criminoso, por falta de provas materiais. Mas lá que tive sorte, lá isso tive, tenho de reconhecê-lo. A sorte de calhar num tempo inconsequente e absurdo, em que até as perdas mais duras se revelam ao nível do intangível. Em contrário, que trágico seria o dia em que do cimo de uma arriba triste tivesse de agir em conformidade e deitar ao mar salgado os insanáveis calhamaços de palavras insípidas que agora sumariamente desapareceram sem um único gemido?

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