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Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade

10/12/2013

Palavras que deixei a António Manuel Venda, escritor Monchiquense, no dia da apresentação da terceira edição do livro

Quando o Presidente da República Visitou Monchique por Mera Curiosidade

, no Longevity Wellness Resort, em Monchique:

É com extrema honra, e uma certa comoção, até, que nos reencontramos aqui, para nova apresentação de uma das obras de excepção da autoria de um dos valores literários mais prodigiosos que nasceu na Serra de Monchique. É, pois, uma tarde de reencontros. De reencontro com o real do lugar e de reencontro com o fantástico autenticado na paisagem onírica e imaterial de Monchique, que António Manuel Venda tão habilmente soube modelar na natureza branca que tudo concede nas folhas de um livro. De um livro que se cumpre na realidade por toda a imaginação que lhe é intrínseca. E todos nós aqui presentes sabemos que só só se pode tornar real tudo aquilo que é indefinidamente imaginado: quanto mais imaginado, mais real.
À semelhança do número de reedições desta obra, esta foi a terceira vez que a li. Da segunda vez, foi este livro um amigo que me acompanhou num silêncio prazenteiro durante as viagens que fazia de Lisboa para Monchique, durante os meus tempos de estudante. É, portanto, um regresso a esses caminhos cheios de bruxas, de gente simples, de descendentes de todo o tipo de bicharada, de Nereidas, de sismos, de balsedos, de excursões a Badajoz, de bichos insondáveis a povoar moinhos de água e de extraterrestres que se amigam com cães até aos confins da eternidade do Universo. São histórias que corroboram o que nos ensinou Carlos Fuentes : “não sabemos o que é o corpo. Não sabemos o que é a alma. E nada nos identifica mais do que a ignorância daquilo que somos.” Cada reencontro com este livro é um regresso confortável a uma verdade inédita. E há sempre qualquer coisa de novo que os bons livros têm para nos dizer. Só isso justifica esta reedição e a necessidade de valorizar artistas como António Manuel Venda, os verdadeiros, despretensiosos e genuínos responsáveis por desvendar a alma de um povo.
Voltando a estes contos e aos caminhos que eles percorrem e que nós percorremos para o que somos e podemos ser transportados por eles, li, há dias, a propósito de uma crítica de um livro de Alice Munro, que a autora considera que “as histórias não são um caminho que se segue, mas, sim, uma casa, onde ficamos a deambular, descobrindo como as salas e os corredores se relacionam. De como como o mundo exterior fica diferente se contemplado daquelas janelas. (…) Podemos voltar muitas vezes, mas a casa, a história, conterá sempre mais do que vimos da última vez”.
Reler este livro, é, assim, redescobrir a forma como os nossos antepassados se relacionam com o nosso caleidoscópio corográfico, com a nossa essência e com a nossa maneira de ser e de viver. É, numa palavra, fazer crescer cultura. Uma cultura monchiquense, com imaginação no sangue e terra na alma. Uma cultura que nos incita à transcendência. Uma cultura que é tudo contra os nadas que os tempos difíceis que vivemos nos vêm impondo ultimamente.

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