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Senhora araucária

10/12/2013

Passei, uma vez mais, ao cabo de uma tarde de trabalho que fiz por honrar da melhor maneira possível, pela senhora araucária e cumprimentei-a uma vez mais, também, com a deferência solene de um súbdito que vem do mesmo chão, mas que, por determinismos consabidos, não pode rasgar o mesmo céu. E lá estava ela, alta e severa, erguida na sua majestade vegetativa, a velar gratuitamente o tempo enraizado na paralisia. A feminidade mística com que se apresenta é de tal forma arrebatadora, que qualquer transeunte desprevenido fica a medir-se perante a justa medida de tamanha grandeza. Só eu, na minha mesquinhez de alma penada, aos tombos na obscuridade da sua sombra imponente e dominadora, em dias impossíveis como o de hoje, não posso com ela. E não é por inveja, é por excesso incomensurável de contemplação. É, de tal modo, a única coisa de realmente grande e assombroso que se pode ver nesta santa terra, que só apetece dar corda aos sapatos e sair daqui. Mas sair para onde, se em todo o lado estou eu e é, justamente, de mim que fujo?

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