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A poesia

26/08/2012

Chego ao final de cada poema com a pavorosa sensação de ser o último. De que não existe mais húmus imaginativo onde a voz da inspiração possa firmar as raízes. E fico-me na confrangedora desolação de homem que não sabe renunciar aos arroubos da mulher que o intruja.  Olho, por entre as frestas do desencantamento, a paisagem circunstante e vejo que há sombras e há luz, há pedras e há mares, há desertos e há rios, há chavascais e há flores. A poesia, como todas as naturezas espontâneas, virá, então, a seu tempo: à hora mais livre, mais pura e menos pensada.

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