Posts Tagged ‘versos’

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Percurso

30/07/2013

Ah! Espasmos da inquietação.
Pulsões fortes na razão
Abalada por dúvidas constantes.
Versos cansados e impantes
Como única companhia
Em cada metro de caminho.
Noite e dia, adivinho
Os mesmos sinais de rebeldia
A dizer que vou sozinho.

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Duplo

17/07/2013

Passou uma vida ao meu lado.
Para onde ia, não sei.
Foi tão pouca a atenção que lhe dei,
Que o movimento me pareceu baldado.
E agora, já recordado
Dos ares de desejo
Que esse vulto tinha,
Finalmente, vejo
Que aquela vida era a minha.

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Farrapo

10/07/2013

Visto esta roupa velha
Cheia de amor aos buracos.
Poços sem fundo opacos,
Frestas rasgadas
Nas sombras da idade,
Texturas amarrotadas
De encontro à claridade
Em cada nova ilusão.
Traje de gala no festival
Da solidão,
A vida é a única que me vale
Quanto mais rompo o coração.

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Remorso

05/07/2013

Foi tudo simples e disperso:
Disse um verso
E pensei que amanhecia.
Mas as palavras vinham nubladas.
Toldadas
Por um sol que não nascia.
Não houve brisas nem poesia
E o dia foi um ar abafado
Por ter falado
Sem saber o que dizia.

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Definição

27/06/2013

Não é amor, não é nada, se não sentes
Torvelinhos, ondas e correntes
A puxar para fora o que trazes
Aos sacões dentro do peito.
Mar de inquietações em que fazes
Parecer mais que perfeito
O mundo de ilusões onde navegas
Sem velas nem rotas definidas,
É o real sonhado que renegas
Nas marés que te são mais consentidas.

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Desenlace

20/06/2013

Eu quero, eu posso, eu mando!
Estou no posto de comando
Da minha própria liberdade.
Fui dor e amor e crueldade,
Respirei ar puro nos pulmões.
E enquanto me perdi sem arte,
Louco como um louco a procurar-te,
Acabei como todas as paixões:
A respirar o pó de Marte.
Agora, o que passou, passou…
E é com tempo que me torturo.
O que foi durou o que durou…
E só o que é duro é seguro.
Do que partiu ficou o que ficou…
E não há futuro atrás do muro
Que a fantasia levantou
Entre o real e o fictício.
– É mesmo de vez, sim!-
Digo, do lado negro de mim,
Dando descanso ao cilício.
Adivinhando já no fim do fim
O princípio de outro início.

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Tardinha

20/06/2013

Horas mortas matando o tempo,
O sol desce, mas não se apaga.
A tarde é uma bruta tinta vaga
A tingir o horizonte de laranja.
O dia transpirado esbanja
Os raios finais da claridade
Atirando moedas de luz
Sobre retalhos de opacidade.
Sabe que o ócio da vida reduz
Tudo a sombras desregradas.
Que ao anoitecer, as musas
Têm as formas difusas
De deusas humanizadas.