Posts Tagged ‘Ciganos’

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Empreendedorismo zíngaro

01/12/2009

Fotografia: TVI

Assim se escreve, em bom português.

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O telemóvel do António Cigano

10/08/2009
SMS recebido por Rui Barros, que o doou ao Terra Ruim.

SMS recebido por Rui Barros, que o doou ao Terra Ruim.

Assim se escreve, em bom português.

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Bittersweet

21/05/2009

É um daqueles dias que, entre os últimos e primeiros de cada ano, todos fazemos questão de assinalar no calendário. Os mais conservadores preenchendo quadradinhos nos caledários de papel, os mais dados às novas dependências tecnológicas, memorizando nos telemóveis ou em bases de dados criadas propositadamente para o efeito, como a que me tem dado um jeitão, a Birthday Reminder.

Preparei-me convenientemente para o dia de aniversário da Gi, pois é um daqueles que dispensa lembrete e que mais prazer tenho em comemorar. Entre flores e restantes mimos a parabenizar este dia e pessoa especiais, encontrei-me absorto: sendo uma das prendas por mim oferecidas dois bilhetes para o teatro, seria eu o par escolhido para acompanha-la à peça Os Maias no Trindade?

Ela, sem dizer água vai, espingardou: «-namoramos há mais de dois anos e tu nunca me compraste uma jóia, Edu!»,«- Porra, sabia lá que vendias esse tipo de merdas!», repliquei eu de alma seca. 

NOTA: A verdade é que fui eu o escolhido para seu par no teatro e que já antes lhe comprara uma jóia, mas achei que esta história tinha muito mais graça se fosse personalizada. 

(A não ser que aquelas coisas a brilhar na pulseira do relógio não sejam diamantes, conforme o cigano que mo vendeu por 80 000 cêntimos me fez acreditar. Devo dizer que fiquei plenamente convencido da autenticidade das pedras preciososas quando me disse que aquilo era um «swatchi verdadeiro»,  facto comprovado pelas lantejoulas falsas na «braceleti». E, tal como argumentou, «uma lantejoila falsa só pode ser um diamante de verdadi».)

Espero que a Gi não fique danada. Nem com este post,  cujo enredo se encontra brutalmente adulterado, nem com o swatch, cuja autenticidade tenho agora grandes dificuldades em atestar, pelas razões expostas pelo cigano.

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Sexta-Feira 13, dia de Mercado

10/05/2009

No Largo terraplanado onde outrora existia só o vale da Ribeira do Ambrósio, a turva água e as árvores, era Sexta-Feira 13. E, como em qualquer outra Sexta-Feira 13, era, inevitavelmente, dia de mercado em Monchique.

Confundem-se-me os sentidos em dias de mercado:

O som dos ferros a bater enquanto as estacas cravam o chão, os contrastes de tons pastel das lonas das tendas, as melodias das cassetes e CD’s piratas, gastos por vozes de artistas pimba que só os tendeiros e ciganos sabem cantar de cor, e cujas capas amareladas definham ao laranja do sol que as carcome impiedosamente, mercado após mercado.

O cheiro a guloseimas dissipado por entre a acidez das bolas de naftalina, leva-me a perguntar a mim próprio o que é que é o quê. Se são as gomas que se deixam contagiar pelo cheiro “nafatlínico”, se são as bolas de naftalina que estão embrulhadas no celofane vermelho dos flocos de neve.

São os tendeiros, aninhados nas barracas desertas de fregueses e de empurrões, apregoando calma e a liberdade de escolha nos pares de peúgas, todos iguais, com risquinha e com raquete, e que fritas, com ovo a cavalo, talvez se mastiguem melhor que alguns bitoques que por vezes nos calham em sorte em restaurantes típicos. 

E são os berros e os choros “achibatados” dos garotos ciganos, que se tornam agrídoces naquele óleo fervilhando  ranço, na tenda dos churros, serengonhos, malaquecos e filhós.

Gosto do mercado e do enleio que me provoca aos sentidos. Por lá passo a caminho do trabalho, por lá deslizo quando regresso a casa.

Enquanto atravessava o caminho que se ergue sobre o largo, feito de pedras soltas e arranhado pela chuva, aquele dia de mercado, Sexta-Feira 13, transformou-se em dia de azar. Não para mim, mas para a cigana que no meio do caminho, de cócoras e saias pretas nas mãos, com as costas voltadas, defecava aquilo que um dia depois mais parecia uma cepa de urze encrespada nas pedras soltas e nas daninhas.

Mantive o rumo e desviei-me daquela figura como se nada fosse. Maldita a hora em que passei pelo mercado e não parei para comprar um par de peúgas antes de subir o caminho ladeirento e de pedras soltas que me leva até casa.