Archive for Abril, 2009

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Não “à” festa como esta!

30/04/2009

O que seria do Avante sem os «electrecestas» iluminados. De facto, não festa como esta!

avante piquete de electrecedede

Assim se escreve, em bom português.

Fotografia: Avante 2006 – Atalaia, Seixal.

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A alegoria da cafurna

30/04/2009

[Assim antecipo, por um dia, o post que visa homenagear todos os trabalhadores da minha terra, em particular os que atravessam condição socioeconómica delicada].

Alguém me consegue explicar porque é que o supermercado minipreço, localizado na Rua Serpa Pinto, em Monchique, ainda continua aberto?

O cenário, dentro daquele espaço, é altamente confrangedor. Entrei com uma lista de compras, saí moído pelo vazio das prateleiras e com as compras por fazer. Aparenta ter sido, em Monchique, decretado recolher obrigatório, em razão de um furacão (coisa pouco provavel à nossa Longitude), ou de um conflito armado.

Em último e mais provável caso, ter-se-á instalado uma onda de receio face aos previstos efeitos pandémicos da Gripe Suína (Mexicana), e todos, antes de mim, se precaveram para uma possivel quarentena, ceifando as prateleiras de tudo o que ali exisitia, abandonando-as à insignificante companhia dos papéis, agora inúteis, sinalizando os preços de cada coisa .

Prefiro, no entanto, avançar com uma explicação mais elaborada, mais lírica, mais filosófica. Numa palavra, mais confortante. O minipreço, despido de géneros alimentares e outros produtos de primeira necessidade, não é mais que a transposição comercial, para os dias de hoje, da aclamada parábola de Platão, a Alegoria da Caverna

Quem vai à cafurna em que se converteu o minipreço, terá atingido finalmente o domínio das ideias, libertando-se assim da caverna inusitada que foi este supermercado, ainda nos tempos (há pouco mais de um ano) em que se chamava Sol & Serra, com uma imensidão de coisas tangíveis amontoadas pelas prateleiras, sombras que tomavamos como reais, criadas por artefactos de ilusões.

Estou confuso. Agora, o mundo ilusório e nebuloso das coisas sensíveis, que me fez estourar rios de cêntimos em pizzas, gomas, pacotes de Conguitos e M&M’s xl, ficou derradeiramente para trás. A dialéctica proporcionada pela alegoria da cafurna, fez-me então alcançar:

  1.  A verdade e o conhecimento absolutos: o minipreço tem os dias contados;
  2.  As portas para o mundo exterior: vou ter que voltar a comprar gomas e conguitos mais caros no Alisuper ou noutras superfícies de Portimão;
  3. Aquilo que mais há para venda na cafurna minipreço, é de borla e ninguém compra, pelo que se acumulam os stocks: tristeza, desilusão e ar por entre os corredores de prateleiras destituídas de matéria;

O pior de tudo, são as pessoas que por ali (ainda?) trabalham, em breve vítimas das ilusões criadas pela ganância de artefactos materiais, priosioneiras duma cafurna sem reflexos chamada desemprego.

Hoje, ao olhar para aqueles seres humanos, lembrei-me da Alegoria da Caverna, mas também do conto de Manuel da Fonseca, Maria Altinha:

«Pareciam Condenados».

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Gambozinos em Monchique

29/04/2009

Eu não acredito em Gambozinos, mas que os há…

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Fotografia: Sitío das Águas Alvas, Monchique.

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Gripe Suína

29/04/2009

Ontem comecei com os espirros e, na sequência de um deles, mais violento, fiquei com um torcicolo. Hoje mal consigo virar a cabeça para o lado esquerdo e tenho já alguma congestão nasal. Por precaução, vou evitar comer a chispalhada que a minha mãe preparou para o almoço, não vá isto ser um caso de gripe suína.

De qualquer forma, é possível observar os casos de infecção conhecidos e a sua localização. Basta consultar o mapa da swine flu.

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Frigorífico com rodas

28/04/2009

Há dias, findo o trabalho, aproveitei a boleia de um amigo até casa. Chovia e não me apetecia andar a pé, pelo que aquela caridade me caiu como sopa no mel (se bem que, sopa com mel, deve dar uma azia do caraças). Com manobras de perícia pelas tortuosas ruas da parte velha da vila e poças a espirrar àgua para cima dos passeios à passagem da viatura, seguiamos a uma velocidade de bois.

Deu tempo para falar do tempo e do Benfica. Amaldiçoei a incúria de não ter levado carro para o trabalho num dia daqueles, para depois me justificar porque raramente o faço. Em Monchique as distâncias são curtas, pelo que faz bem às algibeiras, à saúde e à alma deslocar-me a pé para o trabalho. Para não falar da escassez de estacionamento e do azar que é chegar ao carro e ver uma assinatura em caligrafia árabe, feita a arame, chave philips ou mesmo de sextavada, cravada na fuselagem do bumblebee.

Rosnei que da próxima vez que investisse num automóvel, compraria um «frigorífico com rodas», que isto dos carros brancos é um mimo, não se nota nada na pintura. E, durante este tempo, cruzámo-nos com alguns carros brancos, aos quais aludi zombando, com pulos e urros descoordenados, pelo facto de se tratarem de «frigoríficos com rodas».

O meu amigalhaço, reagia impávido aos meus sucessivos tiques dementes, coisa que estranhei visto ser, normalmente, um tipo bem disposto. Creio que lhe vi até alguma sofreguidão no rosto, de cada vez que repetia: «olha um frigorifico com rodas…ahahahahahah…sabes o que é aquilo? É um frigorifico com rodas é o que é!»

Foi quando fechava a porta da viatura, depois de ser deixado perto de casa, que me apercebi da cor do automóvel que me havia transportado. Fiquei branco, da cor do leite, da cor do cavalo branco de Napoleão…

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Sanitão… e os 4 R’s: Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Rebentar

27/04/2009

(Este post surge com alguns dias de atraso, uma vez que se adequa perfeitamente ao Dia da Terra, assinalado no passado dia 22 de Abril.)

As campanhas de sensibilização ambiental têm sido uma das mais importantes ferramentas ao serviço do paradigma do Desenvolvimento Sustentável, tendo para o efeito,  sido adoptados verdadeiros chavões, com o objectivo de alterar comportamentos consumistas e sobremaneira entrópicos.

Na minha rua, por exemplo, está-se na vanguarda da política dos 4 R’s e hoje, quase toda a gente tem já entranhado no ADN ambiental a necessidade de:

1 – Reduzir;

2 – Reutilizar;

3 – Reciclar;

4 – Rebentar com tudo o que é sanita e autoclismo. Agora, junto ao contentor do  lixo,  a vizinhança dispõe de um Sanitão.

O Sanitão é um espaço dedicado a acolher autoclismos e sanitas velhas, demasiado frágeis ao excessivo peso dos utilizadores, ou rachadas por uma diarreia explosiva, ou ainda arrancadas por um súbito e fulminante enjoo, mal-estar ou ressaca, que nos levam a agarrar a este útil artefacto  enquanto auxílio ao esforço de arremesso bocal de conteúdos gástricos, que se distinguem pela frequente tonalidade amarelo-esverdeada.

Depois do vidrão, do papelão, do pilhão e de outros utensílios sabiamente concebidos para a reciclagem de resíduos domésticos acabados no ditongo “ão“, o Sanitão é também uma realidade, permitindo que um artefacto normalmente destinado à higiene doméstica e ao escoamento de restos de sopa azeda, seja agora, enquanto conjunto, um exemplo emblemático da luta pela qualidade ambiental e promoção da saúde pública na minha rua.

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Tudo está bem quando acaba mal

26/04/2009

chavena_25_abril3As festas de comemoração do 35º aniversário do 25 de Abril, em Monchique, terminaram como alguns esperavam que viessem a terminar: num mar de cacetadas… Apesar de não ter passado de um arrufo mais que insignificante, sem mazelas nem sequelas, estou convencido de que quando se trata de comemorar o que quer que seja em comunidade, a tradição ainda é o que era! E tudo por causa dos “copos”.

Fotografia: Relíquia de louça herdada de avós maternos. Nota: Apesar da qualidade evidente, não se trata de louça produzida pela Bordalo Pinheiro.