Posts Tagged ‘Desenganos’

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Brincar com o fogo

25/11/2012

Viver tudo de todas as maneiras, sentir tudo de todas as maneiras, escrever tudo de todas as maneiras, sem que me cansem a imaginação, a esperança e as forças ocultas da transcendência. Esperar que cada novo dia, batido pelos ventos ciclónicos da inquietação, me traga a chama de um verso inesperado e promissor. Quem me mandou brincar com o fogo onírico da poesia?

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Puxando o carro

17/10/2012

Que balsâmico seria se, depois de lavadas as ferramentas e arrumadas as mataduras diárias a um canto, eu me metesse pelos espinhaços ossudos desta serra a cabo e, sedimentado em cada pedra, abrolhado em cada arbusto e integrado no instinto selvagem de cada criatura animal, medisse com o estalão dos meus próprios passos até que rasos horizontes se estende a minha coutada de solidão. Mas não. A vida concreta é mais forte que as amarras das paixões abstractas. Os mapas têm que orientar, as actas têm que contar, o céu tem que chover, os ribeiros têm que inundar, os mortos têm que morrer, os vivos têm que viver. Vistos à luz mortiça da rotina, o quotidiano parece inútil e o trabalho um desperdício, uma escravidão a forças tirânicas alheias às nossas ambições. E como pegadas desenhadas na lama dos dias, apenas se sabe de quem trilhou o caminho aquilo que diz o cardado das botas. Para mim, nem isso quero! Quero que a assinatura dos meus actos tenha o registo neutral das caligrafias ruins e a precariedade do giz nas ardósias. Passar pela vida de forma tão ignota, tão anónima e tão clandestina que nem eu próprio dê conta da minha existência.

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Claridade possível

06/09/2011

Tanta dureza, tanta severidade, tanta intransigência, para quê? Fico a pensar se a crónica acidentada dos meus dias não teria melhor acerto em latitudes polares. Estou sempre nos extremos contrários aos solstícios da vida, como se na claridade circunstancial da minha natureza humana as sombras fossem sempre frias, secas e demoradas. E neste mapa de mim me vou procurando: encontro-me, sem nunca me sentir achado.

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“As iludências aparudem”

25/09/2010

Imagem enviada por Alexandra Pereira

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Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

17/01/2010

Imagem: Telejornal, RTP1

Ainda que pertencente a um partido fortemente abalado pelas ondas sísmicas do neoliberalismo e que fez do  real socialismo apenas pó, Manuel Alegre ergue-se dos escombros, resgatado pela necessidade de haver uma visão alternativa à distopia em que o país colapsou. Sendo igualmente assunto sério, ver a disponibilidade do histórico político para uma possível candidatura a Belém ser confundida com o resgate de uma mulher grávida por entre a entulheira de Port-au-Prince, Haiti, é coisa inescrutável que tem muito pouco a ver com nada.

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Mark thing: macho latino

28/07/2009
Fotografia: Gare do Oriente, Lisboa. Enviada por: Xana

Fotografia: Gare do Oriente, Lisboa. Enviada por: Xana

Assim se escreve, em bom português.

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Flop telúrico

13/04/2009

Um dos responsáveis pela minha iniciação na blogoesfera, publicou no seu blogue uma das notícias que mais discussões deve ter desencadeado na comunidade científica ligada à investigação de Riscos Naturais.

Quando recebi, da mailing list do grupo Geografia.pt, um e-mail com a referida notícia, confesso que fiquei desconfiado. No último ano da licenciatura, num exame da cadeira de Avaliação de Riscos Ambientais, respondi a uma pergunta sobre a previsibilidade dos sismos, com um texto “simulando” uma noticia publicada no ano de 2094. 

“O Regresso ao Futuro” baseava-se na monitorização dos índices de libertação de gás rádon junto a escarpas de falha e na análise comparativa dos efeitos da catástrofe, no Sul da Europa e Norte de África, de um sismo de grande magnitude com epicentro no Mar Mediterrâneo . A professora até gostou do exercício de ficção, (confesso que foi um risco ter respondido assim), e eis que, passados uns anos, julguei que Giampaolo Giuliani tinha, das duas, três:

1- Surpreendentemente conseguido antecipar, em 85 anos, toda a panóplia de tecnologia e procedimentos cientificos que só julguei possíveis para o ano de 2094;

2- Roubado o meu exame de Avaliação de Riscos Ambientais, tendo eoncontrado na dita resposta a sustentação científica que lhe valia o bilhete para o seu momento de glória.

Depois de uma pequena análise e investigação, cheguei à conclusão que se tratou apenas de uma coincidência inconsistente e que, apesar da tentativa, ainda há bastante a fazer no sentido de se conseguir prever a data, hora exacta, local e magnitude de um Fenómeno Natural do género, como se pode ver na troca de comentários mantida com o meu amigo Jorge Sampaio (não, não é o ex-Presidente, mas é parecido…é que ele também é do Sportem).