Archive for Junho, 2009

h1

Mark Thing: Quando o verbo vender descamba

30/06/2009
Fotografia: Ribeira das Canas, Monchique. Enviada por: Carlos Martins

Fotografia: Ribeira das Canas, Monchique. Enviada por: Carlos Martins

Assim se escreve, em bom português.

Anúncios
h1

O Pai Natal e os embustes científicos

30/06/2009

Paul Broun, congressista republicano dos EUA, teceu, na passada sexta-feira, afirmações de encantar, pelo menos a todos quantos acreditam no Pai Natal. Paul Krugman, relata as caricatas considerações da seguinte forma: 

«Indeed, if there was a defining moment in Friday’s debate, it was the declaration by Representative Paul Broun of Georgia that climate change is nothing but a “hoax” that has been “perpetrated out of the scientific community.” I’d call this a crazy conspiracy theory, but doing so would actually be unfair to crazy conspiracy theorists. After all, to believe that global warming is a hoax you have to believe in a vast cabal consisting of thousands of scientists — a cabal so powerful that it has managed to create false records on everything from global temperatures to Arctic sea ice».

Incrível como ainda há tropelias autistas semelhantes às de quem ainda acredita no Pai Natal. Diria que o “embuste” perpetrado pela comunidade científica está de tal forma bem engendrado que até a NASA foi metida ao barulho, com estudos tão mentirosos quanto meticulosos. Assim, os videos demonstrando as alterações médias de temperatura à superfície do planeta, nos últimos 100 anos, não são mais que desenhos animados do mais puro entretenimento científico.

Na mesma medida, este mapa com a evolução média da temperatura no Mundo, será, para o congressista Broun, uma bela pintura de Renoir, bem ao estilo rococó. 

Alteração média da temperatura à superfície da Terra, 1951 - 2008

Alteração média da temperatura à superfície da Terra, 1951 - 2008

O gráfico em baixo, talvez seja proveniente dos resultados de um electrocardiograma realizado a alguém com as faculdades de raciocínio intactas, depois de ler ou ouvir a obtusa teoria da conspiração ventilada por Paul Broun, e não as oscilções médias de temperatura às várias latitudes do Globo.

Variação média de temperaturas por zona / latitude

Variação média de temperaturas por zona / latitude

h1

Don Juan

29/06/2009

Ter-me passado piolhos, ainda na escola primária, levou-me a tomar a inexorável decisão de o afastar do posto de «melhor amigo». Nunca mais tive um só melhor amigo. Decidi abrir a distinção a vários camaradas, de modo a que os efeitos de pragas semelhantes se diluíssem por muito mais gente. Passaram-se alguns dias, umas ensaboadelas de quitoso que não sortiram efeito e umas abrasivas pulverizações de dum-dum pelo cabelo cortado “à tigela”, e esqueci a sensaboria, recuperando a confiança num amigo que hoje reencontro muito esporadicamente, talvez apenas quando a vaca tosse.

Andava quase sempre esbaforido, atulhado por um pigarro persistente, passeando pelo recreio da escola e pelas ruas,  lacerado por uma asma bafienta que apanhou na casinha minúscula da avó, uma velha arrecadação de apenas 2 divisões onde se amontoava um pequeno povoléu: ele, a avó, mais a mãe e o pai nos dias em que conseguia reencontrar o caminho de casa. Tinha, quase sempre, os  cantos da boca e os entremeios dos dedos mascarrados pela marmelada guardada em cubos dentro dos bolsos, e que utilizava para subornar a amizade dos outros garotos. 

O vivório com que me brinda de cada vez que nos falamos deixa-me confortado. O passado cinzento e miserável há muito que o “largaram da mão”, como se também ele tivesse recorrido ao quitoso e ao dum-dum para se ver livre daquele destino soturno que o encafuou durante toda a infância.

Guardo para mim a ideia de que o momento que marcou a sua decisão de abandonar aquela vida acabrunhada foi na primeira das noites de convívio com os andaluzes que passavam férias acampando no pinhal da Fóia, durante o estio. Acanhados, diminuídos pela adolescência imberbe e, acima de tudo, pelo desconhecimento absoluto do castelhano, pouca coisa conseguiamos pronunciar com a propriedade de Cervantes, exceptuando tortilha, paelha e alguns palavrões. As espanholas sorriam-nos, cantando como sereias, e foi ele o primeiro a ceder, afagado pelo engodo acabado de lançar.

Deu dois passos, aproximou-se delas e disse num tom seco:

– Olá!

Elas sorriram novamente, em castelhano. Naquela altura ver sorrisos em castelhano era algo que também não estavamos habituados a perceber. Uma delas respondeu de imediato, num andaluz cadenciado:

– Holla. Hablas español?

Sem perder tempo e lampejando um sorriso ufano, bem português, balbuciou convicto:

– Un poquito… un poquito…

– Como te llamas? – Afirmou uma outra, deixando-se deslizar nos resquícios do gelo que se quebrara finalmente.

Ele corou, retesou-se e balbuciou:

– Un poquito… un poquito…

h1

Zona Pedonal

29/06/2009
Fotografia: Ljubljana, Eslovénia. Enviada por: Filipe Pedro.

Fotografia: Ljubljana, Eslovénia. Enviada por: Filipe Pedro.

O Filipe Pedro é, dos geógrafos que conheço, aquele que melhor aplica o conceito de trabalho de campo. Não há parte do Mundo que não tenha percorrido, na labuta de quem precisa de voar até muito longe para ganhar a vida. O Terra Ruim ganha o importante contributo de um raro amigo extraordinário, com estatuto para figurar nos 10 melhores portugueses de sempre, e alarga as perspectivas de internacionalização deste blogue na luta pela reintegração de Olivença no território nacional.

h1

Números naturais

28/06/2009

Contagem crescente: Um, dois, três, cinco, quatro, seis, nove, oito, sete…

Imagem roubada no failblog.org

Imagem roubada no failblog.org

h1

Palavras exíguas

28/06/2009
Imagem: Jornal Record, edição on-line de 27/06/09

Imagem: Jornal Record, edição on-line de 27/06/09

Assim se escreve, em bom português.

h1

The Transformers – a retaliação

28/06/2009

Os 28 Decepticons entraram em acção e a resposta dos Autobots não se fez esperar. Os últimos, com um manifesto vincadamente keynesiano, sempre têm o condão de apontar rumos, estratégias, soluções. Mais importante que a letargia do nada fazer, da restrição, ou do endividamento do Estado, é saber fundamentar a necessidade do investimento público útil, criterioso e o seu papel enquanto travão de um certo endividamento social.

Os Decepticons têm o nome com eles, verdadeiras decepções. A maioria já exerceu importantes cargos de governação, sem que tenham contribuído positivamente para que hoje se viva num país melhor. Ainda assim, quase toda a comunicação social mostrou total alienação face às maravilhas do manifesto dos 28. Da legitima defesa dos Autobots, os ecos foram pouco mais que nada, apenas singelas referências.

Definitivamente, e porque se trata tão só de doutrina macroeconómica, estou do lado dos autobots.