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Porque não um livro?

02/01/2014

Encontrou-me de olhos embaciados, a somar consoantes e vogais na palavra chuva escrita a traço fino e mudo na carta sinóptica do Jornal. Ao meu lado, o livro que me acompanhava, – estamos sempre a sós, eu e um livro, eu e eu, naquele lugar.
– E você, quando é que escreve um livro?
– E quem o leria? Um livro é uma obra da Natureza. Demora muito tempo erguer uma cordilheira articulada de palavras que a borracha do tempo não apague facilmente – respondi, a sentir a mudança de pressão, as linhas na carta sinóptica abaixo dos 1013 hectopascais.
– Mas escreve para a eternidade ou quê?!
Estávamos numa pastelaria, e a pergunta merecia uma resposta açucarada, adivinhando céu limpo, contra todas as previsões:
– Já me contentava ver uma frase ou um versozinho na cobertura de um bolo de aniversário. Ao menos dava aos meus amigos a minha atmosfera emotiva servida às fatias.
Mal sabia ele que os versos que me vieram à cabeça, eram estes:
“Erros meus, má fortuna, amor ardente.”
Versos que, como é consabido, nem sequer são da minha responsabilidade.

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